Coluna do Amigo Correspondente: Eduardo Labanca, um brasileiro em Washington ou simplesmente ‘DC’.

Era 2012 e tudo estava em ordem: trabalho indo bem, eu morava em São Paulo em apartamento legal, amigos em volta, a economia do Brasil estava bem… Tudo ok. Em um dia de março é postada na intranet da empresa uma vaga na filial de Washington DC, e a tal da vaga é a minha cara. Pensei por alguns dias se eu arriscaria, se eu seria capaz de despedaçar minha zona de conforto e mudar de mala e cuia sozinho pra outro país, ainda por cima pra uma cidade onde eu nunca havia estado. Pois sim, me joguei. Passei 9 dias no Distrito de Columbia entre entrevistas e reconhecimento de terreno, sendo por fim aprovado pra vaga. Minha mudança aconteceu 3 meses depois, após concluído os processos de visto de trabalho, de transição das minhas atividades pro novo gestor no Brasil e muitos, muitos ‘bota-foras.’

Primeiro dia de primavera, na minha primeira primavera aqui, evidentemente após o primeiro inverno!
Primeiro dia de primavera, na minha primeira primavera aqui, evidentemente após o primeiro inverno!
Cherry Blossoms - Washington, DC - EUA
Cherry Blossoms – Washington, DC – EUA

Washington, ou simplesmente ‘DC’ como chamamos aqui, é muito melhor do que eu imaginava. Eu tinha uma ideia de que seria uma cidade burocrática, careta, habitada por políticos e politiqueiros, sem talento pra diversão e entretenimento. Ledo engano. Respira-se política evidentemente, mas uma política de debates ativos interessantes e de alto nível, e de impacto global. Surpreendentemente a cidade tem uma grande população jovem, o que eu não tinha me tocado, parte dado as 7 grandes Universidades instaladas na cidade e na grande área metropolitana, parte devido às dezenas de organizações não governamentais e organismos importantes, como o Fundo Monetário Internacional. que atraem estudantes e profissionais do mundo inteiro.

Verão em DC
Verão em DC
Washington, DC
Rock Creek Park, primavera 2013. Esse é o nosso Central Park, no meio da cidade.

Falando em diversidade, DC é tão multicultural quando Nova Iorque ou Paris. Há primeiras e segundas gerações de gente de todo lugar. Na minha empresa, só pra ilustrar, temos franceses, espanhóis, senegaleses, sul africanos, chilenos, brasileiros (Oi! Somos 3!), congoleses… Tem gente do Afeganistão, da Índia, do Nepal, da Austrália, do Iran, e por aí vai, além de americanos de diversos estados.

A multiculturalidade é refletida também na gastronomia: não existe culinária que esteja ausente da cidade e há opções pra todos os bolsos. Em relação à cultura, o distrito tem de sobra. Todos os 20 museus e galerias da fundação Smithsonian são grátis, por exemplo. Shows, concertos, exposições, festivais e outros eventos culturais abundam o ano todo. Outra coisa que me cativou no DC foi a restrição de altura dos prédios. Por lei, as construções não podem passar de 139 pés de altura, algo em torno de 10 andares, e mesmo assim esses edifícios ‘mais altos’ ficam concentrados mais em downtown. No restante tem muita casa, ou construções baixas de 4, 6 andares. Vindo de São Paulo, imaginem, a quantidade de luz e de céu disponíveis aqui são impressionantes! Na soma desse aspecto mais a imensa quantidade de parques e praças, e com a abundância de ciclovias e de transporte público, o resultado é uma qualidade de vida bastante boa.

Minha primeira carved pumpkin de Halloween.
Minha primeira carved pumpkin de Halloween.
“International week” na empresa, quando a galera usa roupas típicas da sua origem.

A adaptação no país e na cidade nova foi tranquila. Evidentemente a cultura americana não é estranha pra ninguém de maneira geral, e além, os americanos me receberam de braços abertos em seus círculos profissionais e pessoais. Não me sinto americano pois não o sou, mas não me sinto um intruso. Penso que a sensação seja como ser um filho adotivo bem vindo e bem quisto. Aprendi com eles a ser (ainda) mais direto em relação ao que quero e ao que penso, comunicando ambos clara e educadamente mas sem nenhum rodeio. Sim é sim, compromisso é compromisso, e não é não. Se gostou diga, se não gostou diga também. Regras existem e devem ser seguidas para o bem coletivo. A vida no DC também ampliou minha visão de que respeito é fundamental, afinal vivemos numa cidade onde as pessoas vêm de todos os lugares e as maneiras de pensar são as mais diversas. Aqui não cola o “já tá bom do jeito que está”, não nos contentamos com menos que o ótimo. Se algo pode ser melhorado, façamos melhor então!

Minha vizinhança durante o inverno, as típicas row houses do DC.
Minha vizinhança durante o inverno, as típicas row houses do DC.
Washington, DC
Amo patinar nessa pista.

Por mais que eu tente, não vou conseguir resumir nesta coluna 3 anos de experiências. Sinto muita saudade da minha família e amigos no Brasil, mesmo os vendo diversas vezes ao ano entre visitas aqui e quando vou de férias. Porém, em resumo, arriscar foi melhor decisão que já tomei na minha vida. O aprendizado profissional e o crescimento pessoal são imensuráveis. De quebra ainda conheci meu amor, adotamos 2 gatos e moramos juntos. Além dessa baita experiência ainda ganhei uma família nova. Nada mal!

Eduardo Labanca

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